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Foto via Facebook, Coletivo Memória Ativa

Educação e Patrimônio Histórico em Santa Maria: o vínculo com a comunidade | Por Matheus Rufino Dalla Lana

O começo do século XX foi um período de ebulição fervorosa em diversos campos do conhecimento humano, incluindo a arquitetura. O estilo Art Déco foi um representante dessas transformações que afetaram a comunidade internacional juntamente com acontecimentos históricos que irromperam o mundo no período supracitado. Tal estilo também teve destaque em Santa Maria e hoje é considerado patrimônio histórico, ou seja, bens materiais que dão um senso de pertencimento coletivo e de continuidade à uma comunidade, um contexto histórico à sua presença no espaço.

Daí vem a questão da educação patrimonial. Para gerar esse vínculo comunal, é necessário esforço consciente para elaborar atividades que ajam “com” o público e não apenas “para” este. A distinção se dá em uma atividade que pense, contextualize e convide à reflexão sobre o que está sendo posto, e não uma mera observação. Ou seja, um ator ativo perante seu espaço no mundo. A exemplo em Santa Maria, temos o Coletivo Memória Ativa, que realiza caminhadas comentadas constantes ao longo da Avenida Rio Branco, sempre abertas ao público.

Em 2025, realizei em conjunto com o Coletivo uma Oficina de Ilustração com alunos de escolas públicas municipais, no Dia Mundial da Criatividade, 22 de abril. O objetivo era conectar mais adolescentes com o patrimônio histórico de Santa Maria, explicando sua origem e buscando uma atividade interativa para despertar nos alunos uma consciência cidadã e participativa frente ao patrimônio municipal. Na oficina em questão, os participantes se dividiram em grupos e cada grupo elaborou um desenho de uma determinada edificação baseada na estética Art Déco, tendo como primazia várias orientações em vídeo e conversa sobre o tema, o histórico do estilo e também área de inserção deste estilo que tem um alcance global. No decorrer da atividade se circulava pela sala, em conjunto com a Professora Simone Rosa para auxiliá-los e dirimir quaisquer dúvidas.

O lúdico é uma ferramenta poderosa de aprendizagem, que instiga curiosidade e interesse.

Há muita força em contextualizar e abordar um processo histórico amplo, inserindo os indivíduos nessa coletividade de maneira criativa. A experiência positiva da Oficina é um exemplo de abordagens que podem ser realizadas para expandir cada vez mais, dentro do meio educacional, a importância da preservação patrimonial e histórica de uma comunidade. Isso revela o quanto a retenção e interesse no patrimônio histórico municipal influencia a manutenção do mesmo no futuro.

As caminhadas ao longo da Avenida Rio Branco, palestras e seminários, além da oficina realizada, indicam tentativas dentro de um universo microscópico de disseminar uma cultura preservacionista; são iniciativas conscientizadoras sobre a questão patrimonial histórica e chamam atenção da comunidade, bem como integrantes do meio político, educacional e artístico, contribuindo para fomentar nas diversas esferas a relevância do processo histórico de uma sociedade. Quanto mais executarmos ideias em prol do patrimônio histórico, menores são as chances de nosso passado cair em esquecimento. Alavanca-se, assim, uma melhor prática de projetos que levem a temática patrimonial para o maior número de pessoas, influenciando possibilidades de políticas públicas no futuro da cidade.

 

Matheus Rufino Dalla Lana é graduado em Design de Animação pela Melies, e atua como ilustrador. Possui dois projetos autorais em andamento, “Historietas de Santa Maria” e “Nico Sumiu”, tendo experiência com ilustração, design, animação, quadrinhos e outros formatos de desenho criativo.

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One comment

  1. As escolas, a Universidade e também outras instituições de ensino devem abrir seus espaços para que os discentes reflitam e proponham uma maior discussão sobre a questão patrimonial e histórica. Assim, há um ganho não somente da comunidade, como do ambiente sócio-político e educacional.

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