Home / * PORTAL / * OPINIÃO E LITERATURA / * SINA AUTORAL / Ricardo Mendes / Por que os olhos dos famintos brilham mais? | Ricardo F. Mendes
Olhos dos que têm fome são como espelhos. Foto de Wajeeha Khan na Unsplash.

Por que os olhos dos famintos brilham mais? | Ricardo F. Mendes

Quem trabalha na área de socorro humanitário ou em situações em que as pessoas enfrentam miséria extrema já deve ter notado o quanto os olhos dos famintos diferem dos nossos. Eles brilham muito mais. São como um espelho.

Ha uma explicação científica para que isso aconteça. Os corpos dos que têm fome, como em Gaza, em países do Continente Africano, aqui mesmo no Brasil ou em qualquer parte do mundo, mudam radicalmente. São alterações físicas, mas também emocionais. A desidratação e o estresse, por exemplo, fazem as pupilas ficarem maiores.

A perda de gordura na face projeta o olhar. Até a luz interage de um jeito diferente com a íris, promovendo um brilho mais intenso. As emoções afloram com os sentimentos de esperança de socorro, promovendo a empatia de quem observa a situação. Ver assim é como enxergar. Reflete o pesar de um mundo sobre a condição humana.

Mas nem todos que veem enxergam. A pessoa pode olhar e não perceber. Aliás, para a física quântica, que observa o mundo em minúsculas partículas, há um universo de possibilidades sobre o que compõe a compreensão concreta de tudo que nos cerca. Já falei que no meu livro A Casa da Memória (Editora Oito e Meio, 2026), aquela residência de esquecidos não é percebida por muita gente que a vê.

Olhar e não perceber é uma das tragédias do nosso tempo. Assim como a mentira e a pós-verdade. Elas são irmãs siamesas, inseparáveis em sua tragédia de querer reinventar a vida. Mas fazem isso de um jeito muito pior e de modo a nos tornar irreconhecíveis uns para os outros.

Comente

comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.