Levei dois dias para ler Instruções para Desaparecer Devagar, de Flávia Iriarte (Faria e Silva/Alta Books, 2025). Esta é, para mim, uma das qualidades da obra de 152 páginas. Ela é feita de texto fluído, resultando em leitura tranquila, que carrega o ledor para uma viagem surpreendente. As personagens vão do Rio de Janeiro a países como o Camboja e a Tailândia, no Sudeste Asiático. Para quem já fez faculdade, é impossível não entrar no modo flashback. Os outros leitores, que ainda não chegaram lá, poderão sentir o gostinho do que não deixa de ser uma aventura.

Cítrico e doce
Há algo de cítrico e doce entre as duas, que pode muito bem ser traduzido na epígrafe do sul-africano J.M. Coetzze, Prêmio Nobel de Literatura de 2003. É dele a frase que abre a edição: “Se vamos ser gentis, que ela (a gentileza) não passe de uma generosidade simples, e que não seja por culpa ou por esperarmos retribuição”. A autora, assim como a protagonista Alice, estudou cinema antes de se entregar às letras. No texto há referências a filmes e cineastas que ilustram sensações e ajudam a construir imagens.
O livro não tem capítulos, possui partes. Duas. Os diálogos são muitos e revelam a ironia e as contradições das personagens. O texto também impõe as certezas de Alice, como, por exemplo, a de que: “Existe um tipo de fúria que só as mulheres conseguem transformar em celebração”. Iriarte encontrou prazer e reconhecimento no meio editorial através de seus cursos oferecidos no Carreira Literária, mas também de todo o seu trabalho voltado às letras.
Em 2016, foi uma das cinco vencedoras do Prêmio Jovens Talentos da Indústria do Livro, organizado pelo Publishnews com o apoio da Feira de Frankfurt. A orelha da edição de Instruções para Desaparecer Devagar informa que ela é editora, escritora e mentora de escrita criativa, já tendo formado mais de 8 mil alunos no Brasil. Também possui conexões com mais de 150 mil escritores nas redes sociais. Seu livro novo pode ser um excelente presente de Natal.
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