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Quase tudo vai estar fechado nestes dias. Não há como fugir para cafés e livrarias refrigeradas e escapar da sensação de “costela no bafo”. Foto: Arquivo.

Chegaremos defumados ao réveillon como costelas no bafo | Ricardo F. Mendes

Sempre achei que baiano funciona melhor perto de água. Soube, há pouco, que chegaremos ao ano novo cozidos como perus de Natal. Uma nova onda de calor pegou o Brasil de jeito. Talvez a última do ano. A temperatura vai ficar de 5 a 10 graus Celsius acima da média para esta época de verão — que já é quente como o Inferno de Dante. Foi a Jacqueline Brazil quem disse na TV que o forno está ligado, exibindo o mapa quase todo vermelho. A temperatura poderá ser a mais alta desde 1963.

Para um certo desespero aqui, em Ribeirão Preto (SP) — onde já existiu um vulcão há 130 milhões de anos —, o ventilador da sala quebrou. É difícil achar quem conserte entre feriados sem que cobre uma fortuna. Então, vou dar uma de eletricista amanhã e tentar fazer o reparo. Há alternativas: conversar com o síndico e dormir na piscina ou considerar que tenho folhas de louro na cozinha: com sorte, posso estar defumado em menos de uma semana.

Tenho dois condicionadores de ar, daqueles portáteis, com rodinhas, que meu irmão e minha cunhada me deram há 4 anos. Não os uso com frequência: são antigos, um pouco barulhentos, consomem muita energia e me sinto como um detento arrastando os aparelhos pelos cômodos, tal qual uma bola de metal presa ao pé.

Por isso coloquei ambos à venda, na semana passada, para facilitar a mudança que preparo. Muita gente se interessou, fez perguntas, mas os aparelhos ainda residem comigo. Que bom! Vou tentar ressuscitá-los. A Agência Nacional de Energia Elétrica divulgou que a bandeira da tarifa de energia é a verde a partir de hoje. Menos mal. Os reservatórios de água, dizem, estão cheios. Que permaneçam assim durante todo o verão ou enquanto eu existir.

 

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