Que lembra o outono, ocaso ou vigor? A natureza tem um ritmo intrínseco, cujo movimento sugere transições. Outono é um momento intermediário entre os extremos, verão e inverno. Este intermezzo outonal pode ser pensado como uma expressão do equilíbrio natural da vida.
Outono dispensa adjetivos. Nem rigoroso como o inverno, nem cáustico como o verão. Tem algo de sublime, de misterioso nos seus movimentos. Alegrias saborosas pelas frutas e um colorido belíssimo pelas flores.
É uma estação que nos permite pensar em metáforas. Assim como ocorre o outono natural, também vivemos o outono existencial, quando experimentamos similaridades outonais em nossas vidas. Nossos outonos são como os da natureza, ritmados. Há colheitas e há perdas de sementes. Dias de sóis e dias de chuvas. Amanhecer e ocaso. Tudo na modulação da vida que segue. Se soubermos entender a dimensão desses ritmos, estaremos em condições de viver além dos adjetivos, porque libertos de determinações, como velhice é chegada do ocaso e juventude é momento de esplendor.
Sobre os outonos aprendemos a importância e o significado do equilíbrio. Não aparece com extremos de frio e calor, antes, surge como um intervalo, tal como numa escala musical. Os intervalos são necessários. Eles se apresentam com sabores e cores, traços marcantes dos produtos outonais.
Quando refletimos sobre nossos outonos, como se traduzem nas nossas vidas? Intensos, férteis, movimentados? Silenciosos, sofridos, enigmáticos, solitários?
Depende de nossas escolhas. Nossa liberdade permite traçar nossos rumos com uma especial compreensão da responsabilidade sobre essas escolhas.

Cecilia Pires. Profa. PHD. Paris, Sorbonne IV. em Filosofia Social. Dra em Filosofia Política, UFRJ. Mestre em Filosofia Contemporânea, UFSM. Formação em Psicanálise Clínica. Escritora e poeta, vinculada à Associação Literária Alpas. Publicações: Livros de Filosofia e de Poesia. A Palavra do Século XXI. Editora Gaya. Cruz Alta. Participação em Coletâneas da ALPAS e da ASL.
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