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Evento literário é adiado no Vale do Paraíba | Por Ricardo F. Mendes

O esvaziamento de escritores e curadoras por conta da censura promovida pela prefeitura é uma lição a ser guardada a sete chaves

Os norte-americanos tem um recurso interessante para avaliar projetos. Em trabalhos que já fiz para eles há sempre um tópico com o descritivo de lições aprendidas, as ruins e as boas. É uma marca importante para melhorar nos próximos desafios e também para repetir o que deu certo. Tem origem no pós-guerra e na Indústria Aeroespacial.

A censura da Prefeitura de São José dos Campos (SP) à escritora, feminista e lésbica Milly Lacombe foi um tiro que saiu pela culatra. Ela criticou a família tradicional brasileira em vídeo, afirmando que seria fonte de muitas das neuroses que temos na vida adulta. (Quem duvida disto?)

Colunista da Folha de S. Paulo, um dos maiores jornais do país, divulgou a proibição da prefeitura.

Políticos protestaram e o prefeito cancelou a participação de Milly, que já não iria à FLIM pelos riscos a sua segurança. Cortes de sua falas foram manipulados e divulgados na web, reduzindo o que disse a uma crítica dirigida — o que não deveria, mesmo assim, ser um problema. Mas o estrago já estava feito.

Destaque no portal de notícias Metrópoles.
O portal de notícias G1, da Globo, informou que a ação da prefeitura gerou resposta do Ministério da Cultura.

O assunto virou manchete em vários jornais e portais de notícia. Folha de S. Paulo, Metrópoles, G1, Carta Capital, Terra e emissoras de tv reportaram o ocorrido. Um prejuízo imenso para os 10 anos de consolidação deste que é o mais importante e aguardado evento literário do Vale do Paraíba.

A revista Carta Capital repercutiu o assunto também.

O espaço, no Parque Vicentina Aranha, já atraiu gente de peso, como Mia Couto (Prêmio Camões) e Conceição Evaristo (Prêmio Jabuti). Agora, restará sempre a desconfiança dos convidados futuros. São José dos Campos, onde morei por 17 anos, é uma cidade conservadora por natureza, mas não desprovida de inteligência cultural.

Seguramente está constrangida com a falta de debate público e com aqueles que se ergueram como paladinos da “moral e dos bons costumes”. No fim, a prefeitura e os vereadores só ajudaram a promover os livros de escritores “indesejáveis” e aumentaram a curiosidade sobre o tema. Além, é claro, de cancelarem o evento.

 

Ricardo Mendes

Jornalista

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