Home / * PORTAL / * OPINIÃO E LITERATURA / * SINA AUTORAL / Às vezes, sinto inveja

Às vezes, sinto inveja

Das pessoas que encaixam parafusos quadrados

Em buracos redondos

Com uma alegria que eu, por vezes, não consigo encontrar.

 

 

Às vezes, sinto uma imensurável inveja…

 

Das pessoas que não mudam

E nem sequer contemplam a mudança

 

Das pessoas que se contentam

Com a pequenez aparente de seus mundos.

Das pessoas que aceitam o status quo

Como se fosse uma lei da natureza

 

Das pessoas que não questionam suas próprias visões

Temporárias declarações

 

Das pessoas que encaixam parafusos quadrados

Em buracos redondos

Com uma alegria que eu, por vezes, não consigo encontrar.

 

Das pessoas cujo mundo se expande

até os limites dos seus pequenos egoísmos

E que, ainda assim, parecem inteiras

Ainda que fragmentadas.

 

Das pessoas que suprimem anseios naturais de evolução

Ou que nunca os sentiram

 

Das pessoas cujas invejas são fugazes, materiais, leves

 

Das pessoas que sucumbem ao medo do desconhecido

Como se o mundo fosse uma previsível rotina.

 

Das pessoas que brigam por outras

Que sequer pensam nelas

 

Das pessoas que ignoram

Não por maldade, mas por cansaço ou por hábito

 

Das pessoas que respiram sem saber o porquê,

falam sem pensar,

vivem sem viver

 

Às vezes, quando penso em tudo isto,

A própria inveja, por mais imensurável que pareça,

Desaparece na voracidade de tantos sentimentos,

Frente à fugacidade do próprio existir.

E assim, a vida segue…

Às vezes invejoso, outros tenobroso,

Mas sempre novo, outras corajoso.

 

Tadany Poeta.

Meditação Poética.

Viena, 1 de maio de 2026.

 

Photo by Lee Howell on Unsplash

 

Link – https://tadany.org/as-vezes-sinto-inveja/

 

 

Please follow and like us:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.