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5 POEMAS DE NÁDIA LOPES

era falta de auto estima

esse querer agradar

a incerteza de ser bem quista

gerando o medo de dizer não

e ser rejeitada

esse sorriso sempre a postos

minha fragilidade

duramente encoberta

me disfarcei tanto

que já não me reconheço

essas outras que guardei

tem ares de monstros pecados

não mostrei pra ninguém

não permiti a raiva

o grito

não deixei que a dor saísse

tive tudo controlado

fui assim bem normalzinha

menininha

boa moça,

incapaz de querer mal

parecia tão verdade

esse maniqueísmo bobo

que me fez fazer de conta

que não sou sinceramente

boa-má

médico-monstro

criador-criatura

mas agora me permito

e na corda bamba

me mostro

muito prazer

sou humana!

……………….

a gente muda e percebe

pelo filho que cresce

a memória que esquece

o coração que cura

ou que adoece

pelo amor que fenece

ou que floresce

por idéias e ideais

por projetos

por alegria

ou tristeza

por que mudam

o corpo, a cabeça

a forma, o cabelo

o paladar, os sentidos

por que muda a química

e o perfume

que era nossa marca registrada

já não cheira

como nos reconhecemos

mudamos percebendo ou não

diariamente

até mesmo sem querer

melhor assim,

Queiramos!

………………………

sou pessoa

composta de cores e detalhes

gente do tipo flor de muro

que amanhece e desamanhece

várias vezes aos dia

e nasce por insistência da vida

gente orvalho

geada

gente girassol

buscando luz

gente lata

decompondo

ao relento

gente formiga

carregando pesos enormes

gente chuva

que se dilui em lágrima

por emoção qualquer

gente mar

que vem e volta

para aprender

a chegar

gente

ás vezes árida

noutras ávida

brotando da mesma vertente…

viva!

 

pra beijo que se recolheu
boca á dentro
bala azedinha
pra quando viver
der azia
Bahia
quando os dias atracarem
um rio navegado lento
quando faltar
carinho e alma
alguma comida de infancia
quando o silêncio
gritar demais
musica e poesia
mão no ombro
cumplicidade
tem sempre receita
pra tentar fazê-la doce
ou disfarçar o amargor
tem sempre um amor incondicional
lembrando que vale á pena
tem sempre um som
palavra-sonho-esperança
cabendo certinho no vácuo
tem sempre uma
insistência
um olhar
que não descansa
tem o tambor do peito
batucando aceso

Eu ainda cato conchinhas
E esse poema
tem quase 30 anos
Deu vontade de te encher de sol
Grama beijos passarinhos
Vontade de te lambuzar
E adoçar ainda mais
Catar e te dar de presente
A felicidade que escondi
Vontade de dar certas coisas
Que nem sei se eu tenho ainda
Uma certa luz que eu via
Um jeito de acreditar
Minha gaveta de guardados
Minha coleção de conchinhas
Meu pátio
E os esconderijos
Até minha Monareta eu queria te emprestar

 

Nádia Lopes

Eu costumava me descrever como uma discípula de Cazuza, no exagero e de Pollyanna pelos jogos do contente, mas hoje depois de tantos caminhos, tantas luas, tanto mar, e sem tantos hormônios, poderia dizer que sou uma catadora de instantinhos e sei do privilegio que é viver o agora, grata e sem a urgência que já foi com certeza muito maior. Há quase 30 anos virei mae, o que me organizou a alma, deu propósito, vontade e muito mais sentido. Me tornei na Bahia, uma terapeuta comunitária integrativa, o que deixou meu olhar e a minha escuta mais atenta.

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