era falta de auto estima
esse querer agradar
a incerteza de ser bem quista
gerando o medo de dizer não
e ser rejeitada
esse sorriso sempre a postos
minha fragilidade
duramente encoberta
me disfarcei tanto
que já não me reconheço
essas outras que guardei
tem ares de monstros pecados
não mostrei pra ninguém
não permiti a raiva
o grito
não deixei que a dor saísse
tive tudo controlado
fui assim bem normalzinha
menininha
boa moça,
incapaz de querer mal
parecia tão verdade
esse maniqueísmo bobo
que me fez fazer de conta
que não sou sinceramente
boa-má
médico-monstro
criador-criatura
mas agora me permito
e na corda bamba
me mostro
muito prazer
sou humana!
……………….
a gente muda e percebe
pelo filho que cresce
a memória que esquece
o coração que cura
ou que adoece
pelo amor que fenece
ou que floresce
por idéias e ideais
por projetos
por alegria
ou tristeza
por que mudam
o corpo, a cabeça
a forma, o cabelo
o paladar, os sentidos
por que muda a química
e o perfume
que era nossa marca registrada
já não cheira
como nos reconhecemos
mudamos percebendo ou não
diariamente
até mesmo sem querer
melhor assim,
Queiramos!
………………………
sou pessoa
composta de cores e detalhes
gente do tipo flor de muro
que amanhece e desamanhece
várias vezes aos dia
e nasce por insistência da vida
gente orvalho
geada
pó
gente girassol
buscando luz
gente lata
decompondo
ao relento
gente formiga
carregando pesos enormes
gente chuva
que se dilui em lágrima
por emoção qualquer
gente mar
que vem e volta
para aprender
a chegar
gente
ás vezes árida
noutras ávida
brotando da mesma vertente…
viva!
pra beijo que se recolheu
boca á dentro
bala azedinha
pra quando viver
der azia
Bahia
quando os dias atracarem
um rio navegado lento
quando faltar
carinho e alma
alguma comida de infancia
quando o silêncio
gritar demais
musica e poesia
mão no ombro
cumplicidade
tem sempre receita
pra tentar fazê-la doce
ou disfarçar o amargor
tem sempre um amor incondicional
lembrando que vale á pena
tem sempre um som
palavra-sonho-esperança
cabendo certinho no vácuo
tem sempre uma
insistência
um olhar
que não descansa
tem o tambor do peito
batucando aceso
Eu ainda cato conchinhas
E esse poema
tem quase 30 anos
Deu vontade de te encher de sol
Grama beijos passarinhos
Vontade de te lambuzar
E adoçar ainda mais
Catar e te dar de presente
A felicidade que escondi
Vontade de dar certas coisas
Que nem sei se eu tenho ainda
Uma certa luz que eu via
Um jeito de acreditar
Minha gaveta de guardados
Minha coleção de conchinhas
Meu pátio
E os esconderijos
Até minha Monareta eu queria te emprestar

Nádia Lopes
Eu costumava me descrever como uma discípula de Cazuza, no exagero e de Pollyanna pelos jogos do contente, mas hoje depois de tantos caminhos, tantas luas, tanto mar, e sem tantos hormônios, poderia dizer que sou uma catadora de instantinhos e sei do privilegio que é viver o agora, grata e sem a urgência que já foi com certeza muito maior. Há quase 30 anos virei mae, o que me organizou a alma, deu propósito, vontade e muito mais sentido. Me tornei na Bahia, uma terapeuta comunitária integrativa, o que deixou meu olhar e a minha escuta mais atenta.
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