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ContosTADANYTodas

Joana…Refinada, Recatada e…Livre, por TADANY

By Tadany Cargnin dos Santos
16 de dezembro de 2019 3 Min Read
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Joana era uma puritana por estrutura social, abnegada por firmeza materna, obediente por doçura paterna e introvertida por desinteresse social. Cresceu gentil e submissa, escondida num apático invólucro que a preparava para seguir a trilha caminhada por sua matriarca…

 

 

Joana era uma puritana por estrutura social, abnegada por firmeza materna, obediente por doçura paterna e introvertida por desinteresse social. Cresceu gentil e submissa, escondida num apático invólucro que a preparava para seguir a trilha caminhada por sua matriarca. Crescer, educar-se, refinar-se, casar-se e ser a brilhante sombra do todo poderoso senhor que a desvirginasse. Brilhante se tivesse a sorte de encontrar um esposo condescendente, senão seria apenas um resignado corpo opaco cumpridor de afazeres e prazeres requisitados pelo seu inquestionável e imperioso amo.

Em seu processo educacional tudo eram elogios e belezas, seu comportamento era exemplar e admirável, suas ponderações e questionamentos sempre aceitáveis, suas ideologias sempre perpetuadoras do status quo e seus desejos recheados de tradições e repetições. Ela era a pérola de sua sociedade, a bonequinha dourada que, cada vez mais, aumentava sua cotação frente aos potenciais pretendentes.

Mas Joana também possuía uma rebeldia interna, do âmago de sua natureza brotavam dezenas de curiosas, interessantes e miraculosas fantasias. No sótão de sua imaginação, ela vivia um mundo a parte onde recriava o seu comportamento, amoldava o ambiente para que se adaptasse aos seus mais intensos ímpetos humanos e deixava-se levar pela magia do que a inspirava diariamente.

Apesar desta aparente distinção, seu papel externo não era um fardo, pois ela entendia a necessidade do mesmo para viver livre em seu próprio mundo.

Então, no momento em que o último toque de preparação feminina e refinamento social estava para ser dado, a família decidiu enviá-la para o além-mar, pois o que existe lá sempre é melhor do que o que existe aqui e, se lá for, seu valor aqui será maior. Lógica simples para os anestesiados cérebros colonizados.

E assim, recatada, frágil e curiosa, ela partiu.

Na nova terra a estrutura era similar, mas os olhos que a observavam não eram tão julgadores e opressores quanto aos que ela estava acostumada. Assim, com o passar do tempo, suas ações premeditadas, frases memorizadas e sorrisos ensaiados tornaram-se naturalmente desnecessário com a mesma intensidade em que suas guardadas e ebulientes fantasias foram manifestando novas energias e criando forças.

Certa feita, a fera adormecida, num impulso súbito e avassalador, quebrou as grades que a limitavam e perambulou livre e intensa pela senda de suas ilusões.

Então, navegou pelos saborosos, afrodisíacos e prazerosos mares do amor com a mesma lucidez, coragem e impetuosidade que um navegador busca uma terra desconhecida, ou seja, incerto de sua consecução, mas confiante em sua jornada. Ela inventou pecados para saciar suas sedes, descobriu o potencial de sua feminina essência, assim como a enrustida fragilidade e dependência masculina. Criou o antídoto para o veneno da submissão. Reformou seus valores com as gloriosas amálgamas de liberdade e transformou sua beleza e sensualidade em certeiras e letais armas.

Quando regressou ao lar, ela não era mais a mesma, muito embora a inocente ignorância familiar e social, assim a esperavam. Antes ela os escutava, agora ela os manipulava. Antes obedecia, agora os seduzia. Outrora era um valioso produto num líquido mercado, agora era a variável que influenciava e dominava o mercado.

Seus trejeitos eram o tesouro das mulheres, sua sensualidade era o desejo dos homens e seu esplendor era o orgulho da família.

Com o passar dos anos, escutou, sorriu, influenciou e orientou homens, mulheres, jovens e crianças.

No pináculo das fantasias vividas na infância, Joana a mulher, reformou sua sociedade, reestruturou os papéis sexuais e revitalizou a inexorável força feminina.

Em vida, foi mulher, amiga, amante, companheira, líder, revolucionária e musa. 

Durante toda a sua existência, seus amantes à amavam, idolatravam e respeitavam tanto quanto o seu marido. (Tadany – 14 01 12)

 

PS: Para citar este Conto:

Cargnin dos Santos, Tadany. Contaram-me 49. www.tadany.org®

 

Sobre o autor…

TADANY CARGNIN DOS SANTOS

Executivo Internacional. Cidadão Global. Palestrante. Poeta. Escritor. Pensador. Counsellor. Espiritualizado. Alegre. Curioso. Dinâmico. Profundo. Agradecido. Aventureiro. Tadany é formado em Administração de Empresas pela UFSM. Já trabalhou em vários países ao redor do mundo e, atualmente, é Gerente de Globalização na IBM Índia. Ademais, por 3 anos, ele também estudou Advaita Vedanta num monastério nos Himalayas (Índia) com o Swamy Dayananda Sarasvati (www.dayananda.org). 

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Tadany Cargnin dos Santos

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