TRINTA E TRÊS DE MÃO: O TRUCO É O JOGO DO DIABO. um conto de ROGER BAIGORRRA MACHADO
Observando fixamente um quadro na parede, ele bebia um copo de canha com butiá, sentado num banco, bem do lado do balcão do bolicho. Acomodou o palheiro no canto da boca, a ponta quase apagada. Quieto, tinha o olhar perdido para uma imagem da Santa Ceia.…
MEU MUNDO FICOU PEQUENO E EU SOU MENOR DO QUE PENSO, um conto de ROGER BAIGORRA MACHADO.
Juvenal Dornelles, ou como era normalmente chamado, Seu Juca, tinha 75 anos quando foi mandado embora da estância em que trabalhou por quase a vida inteira. No dia em que foi dispensado, desde que acordou, ele sabia que algo ruim aconteceria. É que as…
COM A ALMA SOB O COURO por ROGER BAIGORRA MACHADO
Os mugidos. Eu me lembro dos mugidos. Antes do sol despontar no horizonte, os mugidos eram como uma sinfonia. Um conjunto de diferentes timbres se iniciava sem maestria alguma, não tinha motivo, não tinha planejamento. Ao fundo, tendo como o…
A HORA MORTA – Por Roger Baigorra Machado
Abril de 1923. No campo iluminado pela lua cheia, a sombra do imenso umbu estocava lentamente a ponta da coxilha. Como se fossem lanças, as negras pinturas dos galhos da árvore deslizavam pelo chão, escorrendo incólumes por sobre rosetas e guanxumas,…
A ENCHENTE DE SANT’ANNA. Por Roger Baigorra Machado
O jovem padre jesuíta cruzou o rio com pressa, ele já tinha feito aquela travessia dúzias de vezes, mas desta vez era diferente. Agora, no meio da mansidão do rio, havia muita preocupação rasgando as lágrimas do seu olhar, um medo gelado e cravado em seu…
Ausências por Cláudia Erthal
um conto de Cláudia Erthal Joana lembra agora aquele mal do tempo, não pelos pingos da chuva a cair, mas pelo chiar da chaleira no fogão a lenha. Quase sempre aquela chuva. O chimarrão na mão esquerda tentava afastar o frio e embalava a orquestra que…
VÉU DE ESPANTAR MENINOS MAUS | por Maria Fernanda Elias Maglio
por Maria Fernanda Elias Maglio *conto do livro “Quem tá vivo levanta a mão” um dos 10 finalistas do prêmio Oceanos 2022 Primeiro uma formiga. Três crianças e uma saúva do tamanho da falange de um dedo. Colocaram a formiga em uma bacia de…
A VIDA | conto de Adalberto Escaio
Vestiu-se. Apenas uma gota do perfume importado de sua preferência e nada mais. O ar, além das notas, sentiu um cheiro de deja vu. Teve certeza de que para os demais, promessas de vida boa, renovação, roupas cheirando a etiqueta. Tudo recendendo a novo.…
BAÚ NO SÓTÃO: Abundância de estrelas no céu
Por Menalton Braff Seus duros pés fincados na plataforma cresciam dormentes de espera. Envolto pela multidão, era quase impossível mover-se do lugar. O reflexo do Sol a meio céu borrava com esplendores, para olhos cansados de ver como eram os seus, o…
BAÚ DO SÓTÃO: Alice e o Violoncelo por MENALTON BRAFF
Um quarto só, quartinho, espremido entre uma claridade suja de outono e o cheiro forte de suor que a cama exalava: o lar. Um quarto atravancado de sons e objetos absurdos, sem lugar para a vida doméstica – o cubículo possível. Quando a noite…