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Ricardo Mendes

Chegaremos defumados ao réveillon como costelas no bafo | Ricardo F. Mendes

By Ricardo Fontes Mendes
23 de dezembro de 2025 2 Min Read
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Sempre achei que baiano funciona melhor perto de água. Soube, há pouco, que chegaremos ao ano novo cozidos como perus de Natal. Uma nova onda de calor pegou o Brasil de jeito. Talvez a última do ano. A temperatura vai ficar de 5 a 10 graus Celsius acima da média para esta época de verão — que já é quente como o Inferno de Dante. Foi a Jacqueline Brazil quem disse na TV que o forno está ligado, exibindo o mapa quase todo vermelho. A temperatura poderá ser a mais alta desde 1963.

Para um certo desespero aqui, em Ribeirão Preto (SP) — onde já existiu um vulcão há 130 milhões de anos —, o ventilador da sala quebrou. É difícil achar quem conserte entre feriados sem que cobre uma fortuna. Então, vou dar uma de eletricista amanhã e tentar fazer o reparo. Há alternativas: conversar com o síndico e dormir na piscina ou considerar que tenho folhas de louro na cozinha: com sorte, posso estar defumado em menos de uma semana.

Tenho dois condicionadores de ar, daqueles portáteis, com rodinhas, que meu irmão e minha cunhada me deram há 4 anos. Não os uso com frequência: são antigos, um pouco barulhentos, consomem muita energia e me sinto como um detento arrastando os aparelhos pelos cômodos, tal qual uma bola de metal presa ao pé.

Por isso coloquei ambos à venda, na semana passada, para facilitar a mudança que preparo. Muita gente se interessou, fez perguntas, mas os aparelhos ainda residem comigo. Que bom! Vou tentar ressuscitá-los. A Agência Nacional de Energia Elétrica divulgou que a bandeira da tarifa de energia é a verde a partir de hoje. Menos mal. Os reservatórios de água, dizem, estão cheios. Que permaneçam assim durante todo o verão ou enquanto eu existir.

 

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Ricardo Fontes Mendes

Escritor e jornalista, duas vezes vencedor do Prêmio Tim Lopes. Ex-Folha de S. Paulo, foi repórter do JN e editor-chefe da Globo para a Rede Bahia, além de editor-chefe do Grupo A Tarde. Foi consultor e diretor da IREX Mozambique, suportado pela USAID. É autor de "Para Onde os Gatos Vão Quando Dormem" e "A Casa da Memória". Visite a sua página na Amazon ou o seu Substack em https://ricardofontesmendes.substack.com.

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