Poema para um tipo de amor
Meu amor é uma mola propulsora.
Cada horizonte circular é um ponto de força
A conduzir energia a seus pares.
Meu amor, assim como isto em mim, é um desencadear.
Aceite o meu sem freios-sem receios.
Aceite os meus reflexos recorrentes-plasmados
Aceite que a paisagem sardenta do seu rosto
Impede a minha tristeza.
Aceite que o som sibilado de sua voz
Devolve a minha orientação.
Aceite que norte, sul, leste e oeste
São o bonito raiar que vejo nas linhas de sua face preguiçosa a acordar.
Aceite que minhas repetições incompreensíveis
Têm relação com o palpitar do meu coração quando de um beijo seu.
Aceite que minhas unhas roídas
São a resposta à sua ausência.
Aceite-me com isto.
Porque é…
Isto que me faz olhar quatro vezes pela janela em busca do seu sorriso no portão.
Isto que me faz inundar o apartamento com o perfume de pães de queijo no forno.
Isto que me faz acariciar os seus cabelos até você adormecer.
Isto comigo também sou eu.
Eu a aceitar os espinhos das suas mãos a inverter a ordem do tapete em meu quarto.
Engenheiro e arquiteto
Por que me deixas tão quietinho?
Não quero imolar-me; cordeirinho: preciso tanto do errado.
Nadar, afogar, ser salgado. Alça, trapa.
Ponha um tiquim de ternurinhas.
Embora com as tuas mãos pesadas
Em minhas costas; aperte tanto! não suporto esperar!
Machuque muito!
Já não tenho a mesma graça.
Meu sorriso é fumaça.
Passos largos, não ligeirinhos.
Mamãe me criou para santinha.
Feminina ovelhinha.
Papai me alimentou com histórias bobas de futuro grandioso-epopeias embananadas.
Ora meu pequeno!
São delírios, somos tolos.
Nada resta, tudo se empresta, quiçá…
“…esses dias tinha um menino tocando aqui; tão fundo, tão alma, tão devaneio de Dalí.”
Comédia pastelão, senhorzinho…
Eu amoadinho (biotônico fontoura?).
Tênis gasto. Nem mais rastro.
Pouquinho?
Estrela que folga.
Deixo agora de falar.
Vou ao colo de mamãe; ela ainda pode me ninar.
Lesões
[Eu nunca tenho nada né?
Nem um coro me exaltando,
Nem um ploc no fundo do estojo velho.
Nem mesmo paracetamol escondido.
Eu sou mesmo esconderijo.
FOCO ABERTO?]
“senhor fazei de mim um instrumento de vossa paz
nós somos todos viandantes, mas é difícil sempre andar
junto às fontes de águas puras, repousantes eu vou
eu só sei dizer que eu quero te amar
a segurança em meus barco encontrarás
tão certo como a ar que eu respiro
santo antônio pequeninho reza missa no altar
cachorrinho está latindo lá no fundo do quintal
as crianças tão dizendo que mamãe é coisa boa
graças pelo azul celeste e por nuvens que há também
por nossas fraquezas humanas
por que será que todo beleza do mundo, que enfeita nossos olhos morre em nossas mãos?
quem não teve uma paixão quando criança
uma morena, outra loirinha, danço com as duas prá que não fiquem sozinhas
nós somos joóvens, joóvens, joóvens, somos do exército, do exército do surf
salve regina, padre albino, foi e agora se foi, anel verde de plástico, pão de cebola, veneranda, gibi da xuxa, colher torta, pinhão nas grimpas, salve regina, café coado, milho debulhado, xarope de groselha, salve regina…”

FELIPE FREITAG é graduado em Letras Português e respectivas literaturas (licenciatura) pela UFSM e é mestre em Estudos Linguísticos pela mesma instituição. É educador linguoliterário (com uma pausa forçada nos últimos tempos). Dedica-se à escrita literária e já ganhou alguns prêmios nessa área, mas isso não importa tanto…
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