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* CULTURA* OPINIÃO E LITERATURA* PORTAL* SINA AUTORALSINA CULTURAL

10 poemas de Leyla Lobo

By SINA
22 de julho de 2026 3 Min Read
0

Por que escrevo?

Escrevo porque as palavras
são janelas que se abrem
quando a vida fecha as portas.
Escrevo para guardar
o instante que escapa,
o sopro da memória,
o silêncio que insiste.
Escrevo para ser.
E, sendo, continuo.

Palavras

Sem segredos, nem medos,
todo o resto são palavras.
As palavras não saem de repente.
Elas precisam percorrer o corpo
em todos os sentidos.
São tão íntimas,
tão envolventes,
que não podem ser partilhadas,
nem rasgadas:
permanecem vivas no silêncio.

OXALÁ!

Queria ser uma palavra esdrúxula,
daquelas de sentido intrínseco,
que nem os sábios, debruçados,
à luz das lamparinas,
desvendam em seus alfarrábios.
Dicionários, muito menos,
daquelas dos gregos pergaminhos,
ou, talvez, do tempo dos hieróglifos,
ou, quem sabe, só nas profecias
poderiam decifrar:
minha poesia.

Em tempos de poesia

Não escrevo para o vento,
não leve minhas palavras,
nem perca meus pensamentos.
Quero as lembranças
que meu passado sustenta.
Não sou uma substância,
nem um retrato falado.
Não sou sua sombra,
nem meros pingos de chuva.
Sou tempestade.

Coragem

Coragem não é falta de tempestade.
É aprender a remar dentro dela.
É andar ainda que vacilem os passos.
É falar mesmo com a voz embargada.
E seguir, apesar dos percalços.
É flor que brota em meio à pedra.
É luz que insiste em existir.
Coragem é alma que não se verga.

Invisível

Sou o que passa, sem ser notado,
sombra que dança no meio do claro,
sou voz que ecoa em silêncio calado,
presença constante no mundo raro.
Sou o que sente, mas não tem nome,
sou passo sem marca, gesto que some
e brilho apagado que nunca consome.
E, mesmo assim, eu resisto inteiro.
Invisível, sim, mas verdadeiro.

A canção do tambor

Quero um tambor
para levantar um brado
a este povo sofrido
açoitado e acorrentado.

Quero um tambor
que reúna os irmãos
evocando a bravura
dos negros na escravidão.

Quero um tambor
pra tocar na lua cheia
a coragem desta raça
e a fé que arde na brasa.

Quero um tambor
que batuque a esperança
no samba contra o racismo,
o canto do escravo livre.

Livre! Livre! Livre!

Convicção

Convicção não busca aplausos,
não precisa de plateia ou coro,
é raiz que cresce no asfalto,
é certeza em meio à dúvida.
Convicção é peito aberto,
mesmo quando o mundo se fecha,
é saber que o caminho é certo,
ainda que ninguém o veja.

Convite

Vem, deixa o mundo lá fora!
Vem logo, agora!
Solta o peso da demora,
eu te convido a dançar.
Traz teus medos, teus sonhos,
teu riso guardado, tua sede de céu.
Vem, sem preguntas, sem mapa, sem pressa.
Vem, com tua voz ou silêncio.
Vem, que há versos na mesa e doces no olhar.
Vem, com tua inocência
e, sem palavras, cala meus lábios.

A infância

A infância é um beijo guardado
no canto mais puro da memória.
É um riso que ecoa no vento,
é um chão de pés descalços,
é um céu de sentimentos,
segredos, sonhos
e afetos guardados.
Nos olhos, o brilho
da luz que inventava.
Cada pedrinha no chão
era um mundo que falava.

POEMAS DO LIVRO

A CANÇÃO DO TAMBOR – Melhores poemas
Ibis Libris
Rio de Janeiro
2026

Leyla Lobo

Nasceu no Rio de Janeiro, em 07 de janeiro de 1940. É poetisa, Escritora e intérprete.

Publicou os livros de poesia: “Ontem…ainda” (1977), “Lágrimas, de Agora…” (1981) e “Hai-Kais” (2004). “Na Beira da Saia” (inédito) obteve em 1977, a Mensão Honrosa no Concurso Fernando Chináglia, promovido pela UBE do Rio de Janeiro .

Em 1979, Ano Internacional da Criança, organizou a Biblioteca Infantil Maria Mazzetti na Casa de Rui Barbosa.

Publicou os seguintes livros infantis: As Travessuras de Lili (2006), Lili no

Parque (2007) e Lili vai Surfar (2008).

Em 2015, lançou o livro infantil “A Faxina no Céu “. Em 2017, inaugurou no YouTube seu canal LEYLA LOBO dedicado à Poesia.

Participa do seguintes saraus: “Um Brinde à Poesia”, organizadas por Lucília Dowslley.

Faz parte da Casa Poema,  de Elisa Lucinda. Frequenta o Corujão da Poesia, do João do Corujão. É membro da APPERJ.

Em setembro de 2022 publicou “20 Poemas e um segredo”, pela editora Ibis Libris, de Thereza Christina Rocque da Motta

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