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UMA CONVERSA FILOSÓFICA COM O ATOR ANSELMO VASCONCELLOS.

por Melina Guterres da Rede Sina

O que concluímos, provisoriamente, é que vivemos num mundo formador. Cópias e mais cópias. Precisamos de sujeitos singulares, originais e com produção de novas formas de viver e existir. Deveríamos estar mais próximos do que fortalece a vida e não do que a enfraquece.

Ele é ator de cinema, televisão, teatro. É professor na escola de teatro Martins Pena, escritor e prefere um papo filosófico que uma conversa mais formal e foi assim que nasceu esse bate-bato com o Anselmo Vasconcellos que recentemente está mergulhado no final da década de 60, nos idos revolucionários da contracultura, na literatura marginal escrevendo seu próximo livro MIA, A HOLANDESA DOS PÉS DESCALÇOS pela editora de livros artesanais Scenarium de São Paulo.
“Um exercício de muitas linguagens de escrita, entre elas o romance”, afirma.
Vasconcellos encerrou recentemente uma temporada com o teatro e segue na televisão (Zorra Total) e no cinema onde em breve deve lançar 3 longas e 2 curtas em festivais de cinema.
Nesse “chat” filosófico passamos sobre diversos significados sobre liberdade, prisão, educação, arte e tantos outros. Vasconcellos também é colaborador da Rede Sina, confira suas contribuições aqui

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REDE SINA – O que é prisão?

ANSELMO VASCONCELLOS: O que perdeu o espaço para a movimentação. A esterilidade, a seca, a fome. O besouro de barriga pra cima na poça d’agua mexendo as patas inutilmente.

REDE SINA – De que maneira a consciência se limita?
A consciência é por si uma organização limitadora. Me parece ser esta a sua função. A vigília.

REDE SINA – Como compreende o inconsciente?
Incompreensível. O que está inconsciente ao ser decifrado é uma interpretação, uma organização da consciência como falamos antes. Sua falta de sentido lógico, linear e racional é a substância da vida. Os cantos dos pássaros, a língua das estrelas.

selREDE SINA – Qual o papel da arte?
Não ter papel algum. “A utilidade do inútil”

REDE SINA – Arte transforma?
Deveria sim transformar, mas não é o que acontece em muitas circunstâncias. Vejo mais acomodação, estagnação e conservadorismo do que a utopia da transformação, meta da contracultura e não da cultura. Ainda gosto de pensar que “cultura é regra”. Não deve ser metodologia e sim perspectiva. Dar menos atenção a subjetividade dominante. Porque as pessoas não toleram a diferença e a maioria reproduz modelos prontos e inibe a criação de novos.

REDE SINA – A educação educa ou limita?
A educação padronizada limita e mata o verdadeiro sentido do aprender. A experimentação está ausente na educação padronizada, desestimula o livre pensar, a descoberta ou invenção do conhecimento, não emancipa o conhecedor.

anselREDE SINA – De que maneira arte e educação convergem?
Não convergem, embora não exista diferença nenhuma entre elas ao pretender o desenvolvimento humano. Mas os vetores não convergem, ainda.

REDE SINA – Existe sujeito formado? O que seria um na sua opinião? ou o sentido é se “desformar”?
Sim, por tudo que estamos pensando aqui neste momento. O que concluímos, provisoriamente, é que vivemos num mundo formador. Cópias e mais cópias. Precisamos de sujeitos singulares, originais e com produção de novas formas de viver e existir. Deveríamos estar mais próximos do que fortalece a vida e não do que a enfraquece.

REDE SINA – O que é ser?
Hamlet diz “Ser ou não ser eis a questão”, mas eu penso que ele me induz a pensar que ser é não ser. Se ele for (ser) o príncipe da Dinamarca não pode denunciar a mãe como cúmplice do assassinato do rei, seu pai. Está impedido pelas leis da realeza. Se ele não for (não ser) o príncipe ele pode denunciar, mas ele não quer deixar de ser o príncipe da Dinamarca. Então ele chama os atores para representar o assassinato do rei e denunciar toda a trama. Ele usa o teatro porque o ator é o próprio ser é não ser.

ansREDE SINA – Ser livre é…
Liberdade em minha vida vem como conhecimento. Aquilo que conheço me altera e liberta se esta alteração é pretendida como transformação constante na individuação. Tenho a sensação que os antigos falam da liberdade como o Nirvana, a iluminação, o desprendimento da ignorância e da ilusão.

REDE SINA – Qual a sua sina?
“O luar, estrela do mar
O sol e o dom
Quiça, um dia a fúria desse front
Virá lapidar o sonho…”

 

por Melina Guterres da Rede Sina O que concluímos, provisoriamente, é que vivemos num mundo formador. Cópias e mais cópias. Precisamos de sujeitos singulares, originais e com produção de novas formas de viver e existir. Deveríamos estar mais próximos do que fortalece a vida e não do que a enfraquece.…

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