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* PORTAL* SINA AUTORALDANIELA NASCIMENTO

JANGO: HISTÓRIAS E MEMÓRIAS por Daniela Nascimento

By SINA
13 de janeiro de 2022 2 Min Read
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No documentário “Jango”, a carreira de João Goulart, único presidente morto no exílio, é acompanhada desde sua eleição a deputado estadual, em 1947, até seu sepultamento em 1976, na sua cidade natal de São Borja.

João Goulart ficou conhecido na história como o presidente estadista do Brasil que foi derrubado pelo Golpe Militar de 1964. Chamado de populista tanto de forma elogiosa por seus seguidores quanto crítica por quem não gostava de sua figura, o político morreu no exílio em 1976, antes que o país retomasse a democracia na primeira metade dos anos 1980. E seu semblante permaneceu como uma incógnita para muitos até este documentário de 1984 dirigido por Silvio Tendler que resgata não apenas a importância histórica de Jango como também o registro de um momento crucial na política brasileira e que tem reflexos até hoje.

Pois este longa surgiu numa hora mais do que apropriada para o Brasil: o calor dos movimentos pelas eleições diretas naquele ano. Não à toa atingiu um marco histórico para um documentário: foi visto por mais de um milhão de pessoas, recorde para o gênero, tão relegado a segundo plano por aqui para a maior parte do público. Também pudera. Não apenas o contexto político precisava de um filme assim como suas qualidades se sobressaem, especialmente pelo rico material de arquivos e as entrevistas de quem sentiu na pele os chamados “anos de chumbo”.

Entre tantos depoimentos que beiram ao emocionante como o da filha de João Goulart, Denize Goulart, ou ainda aqueles com discurso inflamado como os de Leonel Brizola ou Gregório Bezerra, o líder comunista, é com os jornalistas que sentimos a necessidade de informação ser aclamada. Vide as revelações de Marcos Sá Corrêa sobre a operação “Brother Sam”, que oficializava o envolvimento dos Estados Unidos no Golpe de 1964. Mas não apenas isto. Aqui tem-se um panorama geral das articulações políticas que levaram à ascensão e queda do ex-presidente, fatos que ganham ainda mais destaque com a narração do saudoso José Wilker conduzida ao fundo pela bela trilha sonora de Wagner Tiso e Milton Nascimento.

Em uma época que tanto se discute militares no poder e tantas outras questões nebulosas sobre a política nacional, Jango se torna um documentário indispensável para quem busca entender os trâmites do jogo de poder imposto por aqueles que deveriam se preocupar com a nação e não com suas picuinhas pessoais. Depois de assistir, fica impossível não imaginar o Brasil como um grande espelho de House of Cards ou, ainda mais, de um pernicioso jogo de tronos.

 

 

Daniela Grieco Nascimento e Silva

Doutora em Educação (Linha de Pesquisa: Educação e Artes – PPGE/UFSM). Licenciada em Pedagogia – Mestre em Educação. Diretora da ONG Royale Escola de Dança e Integração Social. Integrante do GEEDAC (Grupo de Estudos em Educação, Dança e Cultura).
http:// www.petitsubversao.wordpress.com
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