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Ricardo Mendes

Por que os olhos dos famintos brilham mais? | Ricardo F. Mendes

By Ricardo Fontes Mendes
30 de setembro de 2025 2 Min Read
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Quem trabalha na área de socorro humanitário ou em situações em que as pessoas enfrentam miséria extrema já deve ter notado o quanto os olhos dos famintos diferem dos nossos. Eles brilham muito mais. São como um espelho.

Ha uma explicação científica para que isso aconteça. Os corpos dos que têm fome, como em Gaza, em países do Continente Africano, aqui mesmo no Brasil ou em qualquer parte do mundo, mudam radicalmente. São alterações físicas, mas também emocionais. A desidratação e o estresse, por exemplo, fazem as pupilas ficarem maiores.

A perda de gordura na face projeta o olhar. Até a luz interage de um jeito diferente com a íris, promovendo um brilho mais intenso. As emoções afloram com os sentimentos de esperança de socorro, promovendo a empatia de quem observa a situação. Ver assim é como enxergar. Reflete o pesar de um mundo sobre a condição humana.

Mas nem todos que veem enxergam. A pessoa pode olhar e não perceber. Aliás, para a física quântica, que observa o mundo em minúsculas partículas, há um universo de possibilidades sobre o que compõe a compreensão concreta de tudo que nos cerca. Já falei que no meu livro A Casa da Memória, com previsão de lançamento para 2026, aquela residência de esquecidos não é percebida por muita gente que a vê.

Olhar e não perceber é uma das tragédias do nosso tempo. Assim como a mentira e a pós-verdade. Elas são irmãs siamesas, inseparáveis em sua tragédia de querer reinventar a vida. Mas fazem isso de um jeito muito pior e de modo a nos tornar irreconhecíveis uns para os outros.

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Author

Ricardo Fontes Mendes

Escritor e jornalista, duas vezes vencedor do Prêmio Tim Lopes. Ex-Folha de S. Paulo, foi repórter do JN e editor-chefe da Globo para a Rede Bahia, além de editor-chefe do Grupo A Tarde. Foi consultor e diretor da IREX Mozambique, suportado pela USAID. É autor de "Para Onde os Gatos Vão Quando Dormem" e "A Casa da Memória". Visite a sua página na Amazon ou o seu Substack em https://ricardofontesmendes.substack.com.

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