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Ricardo Mendes

Há 120 conflitos armados no mundo em 2026 | Ricardo F. Mendes

By Ricardo Fontes Mendes
5 de janeiro de 2026 3 Min Read
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Dados para o início de 2026 apontam que há 120 conflitos armados no mundo, de acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Há categorias jurídicas e de intensidade que definem em quais grupos cada um deles está. No senso comum, a gente identifica uma guerra quando um país ataca o outro — como a Rússia fez com a Ucrânia, por exemplo —, mas no consenso internacional um conflito é definido por vários outros critérios:

  • Conflitos Armados Não Internacionais (CANI): Representam a grande maioria. São guerras civis ou lutas entre governos e grupos armados organizados (como no Sudão, Mianmar e partes da África).
  • Conflitos Armados Internacionais (CAI): Quando dois ou mais Estados usam força armada entre si (como Rússia vs. Ucrânia).
  • Ocupações Militares: Situações onde um Estado exerce controle sobre o território de outro (como os Territórios Palestinos Ocupados).

Há guerras que são travadas longe dos olhos humanos e das lentes da câmeras de tv, da mídia. No mar Báltico os ataques são no fundo do mar. O alvo são os cabos submarinos de internet, recheados com a luz das fibras óticas, que são sabotados para causar transtorno à toda a Europa. Navios lançam âncoras e, quando vão recolhê-las, muitas vezes optam por arrastá-las de propósito, levando junto a infraestrutura de comunicação.

Repará-la custa dinheiro, causa transtorno, compromete a comunicação de vários países. Segundo as nações européias, a maioria dos navios que fazem isto são russos e chineses. O uso de drones e de seres humanos como escudos também tem crescido assustadoramente. Mas a promessa de uma guerra que não mata — ou mata menos —, de bombardeios cirúrgicos e precisos, nem sempre se concretiza.

O presidente Donald Trump observa a captura de Nicolás Maduro e sua esposa em tempo real. Foto: Reprodução/ Truth Social.

Ou melhor, raramente acontece, entre desculpas do agressor por ter errado o cálculo e acrescentado o extermínio de seres humanos às estatísticas da guerra — como de deu com Israel nos ataques aos palestinos na Faixa de Gaza. Tudo isto está ocorrendo depois de termos vivido o assombro da pandemia de COVID 19, que nos reteve em casa, assustados, com medo da contaminação e da morte.

Novo normal

Muitos de nós, que sobrevivemos ao vírus, acreditávamos em um “novo normal”. Sinônimo de uma consciência maior sobre o nosso dever como ser humano e do que esperar do outro, naquilo que se apresentava como um tempo diferente. Estávamos redondamente errados. Poderíamos colocar todos os 120 conflitos em um único grupo, o da estupidez coletiva. Afinal, governos são eleitos por pessoas, que escolhem o destino da nação que habitam. Chamamos isto de democracia.

Em um mundo quente como um tacho de dendê, não assumir a responsabilidade pelo que acontece na Venezuela ou em qualquer outra parte do mundo é como aceitar conviver com a inocência da mentira que nos assalta. Ou paramos de agir como habitantes de um território que tem como destino a desgraça coletiva ou sucumbiremos em pouco tempo. Não é sobre ser contra ou a favor de Maduro; contra ou a favor de Trump; é sobre como lidamos com a nossa própria ignorância.

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Ricardo Fontes Mendes

Escritor e jornalista, duas vezes vencedor do Prêmio Tim Lopes. Ex-Folha de S. Paulo, foi repórter do JN e editor-chefe da Globo para a Rede Bahia, além de editor-chefe do Grupo A Tarde. Foi consultor e diretor da IREX Mozambique, suportado pela USAID. É autor de "Para Onde os Gatos Vão Quando Dormem" e "A Casa da Memória". Visite a sua página na Amazon ou o seu Substack em https://ricardofontesmendes.substack.com.

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