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Imagem: Pixabay
* PORTAL* SINA AUTORALCECILIA PIRES

Religiosidade e manipulação do Imaginário Popular por Cecilia Pires

By Rosana Zucolo
3 de julho de 2025 3 Min Read
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Incomoda à inteligência qualquer manobra manipuladora do imaginário popular. Este incômodo cresce em intensidade, baseado no juízo crítico, quando a manipulação atinge o imaginário religioso da população, confundindo suas crenças e suas compreensões acerca do sagrado. Causa indignação!

Ninguém de nenhum lugar, em nome de qualquer autoridade, usando as categorias da religiosidade, tem o direito de usar a fé, as convicções, as devoções, os ritos relacionados a essa dimensão da cultura religiosa, de forma ameaçadora, apropriativa, alienante, divisionista com clamores, ameaças e castigos eternos. Tudo isso é revoltante, por se tratar de um imperativo usado para confundir os menos informados.

Qualquer líder religioso, que ao pedir contribuição financeira para as ações religiosas, ameaçar o devoto de punição divina, caso não contribua, deve ser alvo de contestação pela prática autoritária em sua função, que deveria ser de acolhida e não de rechaço.

A situação se torna mais complexa, se além disso, houver ameaças e exigências aliadas às questões político-civis, como exigir que os cidadãos votem em candidatos indicados pelas igrejas ou comunidades religiosas, como forma de cumprirem uma missão divina e serem abençoados.

Cabe esclarecer que não se está propondo uma alienação política, por parte das pessoas de formação religiosa. Apenas, mostrando o perigo da manipulação popular pelo viés da religiosidade, de modo a afirmar que serão punidos, pelas forças divinas, os que não votarem nos candidatos indicados pelas lideranças religiosas.

Por que este assunto, neste momento? Por tudo o que está ocorrendo no Brasil, em que os ataques ao pensamento e ações democráticas tornam-se quase uma declaração de guerra, cobrando obediências politicas em nome das crenças religiosas. No mundo, as guerras programadas e as alianças entre os poderosos realizam perseguições aos que pensam de forma diferente e atuam a partir de valores diversos desses senhores do poder. A intenção é o aniquilamento das culturas diversas, com o uso de meios os mais cruéis.

É impossível ter atitude de mero espectador da desgraça dos povos. Trata-se, em nome da ousadia da inteligência democrática, de anunciar e denunciar os que pretendem abusar da fé religiosa de um povo, para se sentirem confortáveis em sua sanha dominadora e destruidora.

As pessoas que seguem seus valores religiosos, com autenticidade, merecem respeito. A questão é sobre aquelas pessoas, que em virtude de seu pouco esclarecimento e indigência social, tornam-se os principais alvos dos manipuladores de suas crenças, permanecendo como objetos de seus interesses de domínio. Torna-se imprescindível o esclarecimento, em nome de uma atitude democrática e solidária.

Tais pessoas têm o direito de serem preservadas dos falastrões de qualquer tipo, de qualquer camada social, de qualquer patamar de poder e de riqueza. Torna-se um compromisso de cidadania com os menos esclarecidos.

Os templos religiosos não podem ser casas de aposta, em que as mercadorias são vendidas como salvação eterna. Isso deve ser denunciado para que os incautos não caiam nas redes dos negociantes da fé popular.

Cristo, ao ver o Templo de Jerusalém ocupado por vendilhões, indignou-se e expulsou-os a chicotadas. Esta imagem, carregada de significados, alerta para o uso perverso do imaginário religioso da população.

Neste momento do mundo, é necessário que saibamos reconhecer os vendedores intrusos, invasores do imaginário popular, para que seja resgatada a dimensão possível da legitimidade religiosa, própria da dignidade cultural de um povo.

Cecilia Pires. Profa. PHD. Paris, Sorbonne IV. em Filosofia Social. Dra em Filosofia Política, UFRJ. Mestre em Filosofia Contemporânea, UFSM. Formação em Psicanálise Clínica. Escritora e poeta, vinculada à Associação Literária Alpas.  Publicações: Livros de Filosofia e de Poesia. A Palavra do Século XXI. Editora Gaya. Cruz Alta. Participação em Coletâneas da ALPAS  e da ASL.

 

 

 

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