Skip to content
-
  • Home
  • * PORTAL
  • EM PAUTA com Mel Inquieta (live)
  • https://www.facebook.com/
  • https://twitter.com/
  • https://t.me/
  • https://www.instagram.com/
  • https://youtube.com/
REDE SINA REDE SINA

COMUNICAÇÃO,, CULTURA E PRODUÇÃO

REDE SINA REDE SINA

COMUNICAÇÃO,, CULTURA E PRODUÇÃO

  • SOBRE
  • PORTAL
  • PRODUTORA
  • CONTATO
  • Assine

CATEGORIAS

  • SOBRE
  • PORTAL
  • PRODUTORA
  • CONTATO
  • Assine
CURTA DESPERTOS
Close

Search

REDE SINA REDE SINA

COMUNICAÇÃO,, CULTURA E PRODUÇÃO

REDE SINA REDE SINA

COMUNICAÇÃO,, CULTURA E PRODUÇÃO

  • SOBRE
  • PORTAL
  • PRODUTORA
  • CONTATO
  • Assine
  • SOBRE
  • PORTAL
  • PRODUTORA
  • CONTATO
  • Assine
  • https://www.facebook.com/
  • https://twitter.com/
  • https://t.me/
  • https://www.instagram.com/
  • https://youtube.com/
* PORTAL* SINA AUTORALATÍLIO ALENCARESPECIAL SANTA MARIA-RS

Capital da saudade por Atílio Alencar

By SINA
16 de maio de 2021 3 Min Read
0

Quando cheguei em Santa Maria pela primeira vez, minha mais forte impressão foi causada pelos morros que se elevam como guarnição e ornamento da cidade.

Chegava de Cachoeira do Sul, terra onde as coxilhas, bem mais modestas que as daqui, não fazem sombra grande nem oferecem corredor para a ventania. De primeiro, senti uma espécie de claustrofobia, que decerto emanava da nova condição de morador de apartamento e da ausência de árvores nas ruas. O verde e o ar eram abundantes só no horizonte; no centro, as vias estreitas, o mormaço e o tumulto me davam certa nostalgia da amplidão nativa. Vertigens urbanas que sofri no corpo e na alma, como um caboclo das margens do Jacuí que se extraviou pelo mundo.

Mas fui ficando, ficando, e me instalei. Entrei para a faculdade de História da UFSM, quando o curso era ministrado no Antigo Hospital Universitário. E aos poucos fui me familiarizando com as mitologias locais. Comecei a dar aula no Práxis, um cursinho pré-vestibular gratuito, onde conheci amigos e amigas para a vida toda. Vivi no quarto 75 da Casa do Estudante da Professor Braga, onde a farra foi grande, e a ressaca ainda maior. Ainda carrego o vício da insônia que adquiri na atmosfera de pouca luz e muita sombra daquele edifício úmido, em que o frio é glacial e o calor, venusiano.

Dali saí para coabitar um teatro em obras – o TUI – com um bando de amigos. Conheci o Rosário e o Itararé, e me apaixonei pela cor local do subúrbio santa-mariense. Sonhei, com esses mesmos amigos, uma outra cidade dentro da cidade, e abrimos uma casinha verde chamada Macondo, uma flecha alucinógena que cruzou a noite de Santa Maria. Morei no Mauá, de onde vi a Rio Branco dormir e acordar com os rumores do trem e a palidez das gafieiras; fui uma presença indefectível no balcão do Café Cristal, desde os tempos do bom português José; entrei para a confraria de boêmios do Bar do Pompeo; passei fins de tarde sentindo o cheiro da terebentina e ouvindo um piano fantasma no Centro de Artes e Letras; fui aos arrabaldes e vivi nas altas nuvens de Silveira Martins; parti, morei longe, jurei que não voltava. Aqui estou.

Se hoje consulto as amizades sobre o que acham da cidade, me respondem que, como eu, amam o vento norte, mas também o odeiam. Que gostam do Itaimbé, do campus em tempos de aula, da gentileza estudantil ao segurar a mochila dos passageiros que viajam de pé no ônibus, da Vila Belga, das cocadas do João, do Theatro Treze de Maio, dos trailers que vendem o melhor xis do mundo (somos superlativos), das feirinhas na praça, dos banhos de cachoeira no verão. E que detestam a intolerância provinciana e transeuntes que andam com o guarda-chuva aberto sob as marquises. Confusão de sentimentos, como canta o magro Pylla.

Santa Maria é um palimpsesto de histórias, amores, ilusões e acenos de despedida. É um lugar de passagem e impermanência, e de improváveis reencontros – e não seria assim a própria vida? De travessias que não acabam, porque estamos sempre chegando ou partindo. Pensando bem, talvez seja legítimo considerá-la a capital da saudade, sentimento comum para quem vai e para quem fica.

 

Please follow and like us:
error
fb-share-icon
Tweet
fb-share-icon
Author

SINA

Cultura, opinião e luta! Rede Sina - Comunicação Fora do Padrão

Follow Me
Other Articles
Previous

#38 GIRO DA MARIA CULT

Next

Santa Maria: 163 anos por Vitor Biasoli

No Comment! Be the first one.

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

CATEGORIAS

Comentários

  1. Idalina em  As Ruínas do Bosque Vermelho | um conto de Carolina de Sá Schirmer
  2. Renata De Andrade em  As Ruínas do Bosque Vermelho | um conto de Carolina de Sá Schirmer
  3. Manifestos pela preservação de espaço público destinado à cultura na Gare - Rede Sina em Manifesto do Coletivo Memória Ativa EM DEFESA DE PATRIMÔNIO FERROVIÁRIO – GARE DA VIAÇÃO FÉRREA
  4. Maria Paulillo em BOCHA, O MAIOR CHIBEIRO DO RIO URUGUAI. por ROGER BAIGORRA MACHADO
  5. Ronaldo Miguel dos Santos Júnior em Da “remada viking” ao “créu”: a torcida e a cultura do estupro no Brasil | por Mel Inquieta

categorias

Copyright 2026 — REDE SINA. All rights reserved Rede Sina Blogsy WordPress Theme