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* PORTAL* SINA AUTORALMANO MELLOPoemasRIO DE JANEIRO

AMAZONÍADAS por Mano Mello

By SINA
28 de agosto de 2019 2 Min Read
0

Jiboia purus sapo-cururu
cajá caju surucucu pirarucu jaboti jararaca 
maracujá maracajá tucupi jurupari sucuri tacacá 
arara aranha ariranha
peixe-boi de piranha
cauim surubim tracajá.
A tribo tá na taba
e somos eu e tu
e todos nós por aqui.
Porque Tupi é Pitu. 
Porque Pitu é Tupi.
Tocaram fogo nas ribanceiras
e Saci-Perereira quer tapar o sol com uma chaleira. 
A floresta vira pasto de gado nelore.
Curupira doesn’t live here anymore.
O Teatrão de Manaus descerrou as cortinas de pelancas para o poema-épico Amazoníadas.
As armas e os Barões do pó assinalados
das ocidentais praias amazônidas,
por rios nunca de antes navegados.
Tucuxi, o Boto, saiu de dentro do esgoto, 
virou moço muito escroto,
estuprou mulheres guerreiras
e crianças impúberes
em espeluncas de orgias públicas. 
Doenças venéreas da Venezuela,
cancros moles peruvianos invadindo palafitas,
casas de pernas tortas, 
Josefinas enfeitadas de chitas.
Chiquita Bacana lá das bauxitas
se veste de pepitas de ouro maciças.
Não usa vestido nem pra ir à missa.
A vida pra ela é pura cobiça.
E se você perguntar se, 
no final da novela,
a mocinha Nazaré da Silva 
se casa com o moço Zé Brasil, 
a resposta é N-A-O-TIL.
Porque no próximo capítulo,
Seu Rambo – disfarçado de cobra fêmea,
a Cobra Norata,
destila seus venenos nos cílios da Nazaré
e com sua frota de tanques,
hasteia a bandeira ianque
a tremular sobre a mata.
Tamanduá-bandeira enrolou-se no mastro 
e desapareceu sem deixar rastro.
Zé Brasil?
Disfarçou-se em listras alvinegras 
e abreviou-se a si próprio
no codinome de Zé Bra.
Entrou numa perna de pinto, 
saiu numa pata de pato. 
O que sobrou, virou mato.
O que era sal, azedou-se.
O azedo ficou doce.
E o que era doce, acabou-se…

 

     
mano1

MANO MELO

Poeta e ator, roteirista para cinema e vídeo. Desde 1979, quando retornou ao Brasil após viajar por dez anos através do mundo (América Latina, Europa, Ásia e África), tem interpretado seus poemas em teatros, bares, centros culturais, universidades, escolas, eventos e congressos literários, até mesmo praças e praias, no Rio de Janeiro e muitas outras cidades. Foi narrador do Rock Sinfonico, a História do Rock and Roll, com a Orquestra Sinfônica Brasileira, no Teatro Riachuelo, RJ. Em novembro estará na Mostra Cultural do Cariri, fazendo shows em Juazeiro do Norte e Crato.

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