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“Um pouco do Impossível, senão eu sufoco” Por GUIDO BRASIL

Era uma conversa simples, despretensiosa, sobre o existir. Era uma conversa comum para um fim de tarde de um domingo qualquer entre o fim do outono e o início do inverno. Era um papo banal sobre O Que Se Quer e O Que Se Consegue dentro disso que chamamos de vida. Bem trivial.

Era sobre o impossível. O bom e velho impossível que todos nós, todos os dias, enfrentamos para conseguir sobreviver. Aquela conversa, por exemplo, era impossível, no entanto, estávamos ali tentando. E se tentávamos era tão-somente para nos salvar.

Os seus dias são feitos de quantos impossíveis? Tenho impossíveis terríveis e impossíveis mais brandos. Este texto, por exemplo, é tão impossível que me faz querer desistir dele a cada palavra escrita, entretanto, preciso finalizá-lo para poder respirar. A busca pela música perfeita para ser ouvida no caminho do trabalho para casa é um impossível necessário para amenizar os impossíveis que você teve de fazer para sobreviver ao fim daquele dia. A leitura daquela pilha de textos para o trabalho acadêmico é impossível, mas você precisa. Ou a busca por aquele tal encontro, com a tal pessoa que vai reconhecer você e dizer “sim, eu topo, mesmo você sendo impossível.” E não podemos nos esquecer de um dos atos mais impossíveis da contemporaneidade: a fila do caixa no supermercado no início do mês.

Viver é fazer o impossível. Se não estamos mais nas cavernas e hoje podemos ir a Marte, através de muitos impossíveis, é porque não temos condições de apenas existir. Ninguém inventa de construir pirâmides enormes, com blocos de pedra que pesam toneladas, à toa. Passamos o dia empilhando coisas impossíveis com o único intuito de criar. Criar qualquer coisa. Criar confusão, inclusive. Porque a nossa sobrevivência depende disso.

GUIDO BRASIL

 

 

 

GUIDO BRASIL

Ator, escritor e roteirista.

Autor do romance Bizarros e Solitários, editora Organograma, 2014

Ator e roteirista da web série “As Ideias de Senhor e Senhora Alguém”, 2008-2014.
Diretor e roteirista do curta-metragem“O Namorado”, curta-metragem, 2015.

 

Era uma conversa simples, despretensiosa, sobre o existir. Era uma conversa comum para um fim de tarde de um domingo qualquer entre o fim do outono e o início do inverno. Era um papo banal sobre O Que Se Quer e O Que Se Consegue dentro disso que chamamos de…

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