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#Rio de Janeiro-RJ: TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA E TODA DELAÇÃO SERÁ PREMIADA por MANO MELLO

O poeta e ator Mano Mello do Rio de Janeiro, já conhecido por sua irreverência, palavra sincera e sem pudor hoje faz uma crítica satirizando o momento atual brasileiro.

manoo

Era uma vez uma bela mocinha indígena
Que atendia pelo nome de Gina.
Pediu á mãe pra ir no rio se banhar.
A mãe deixou: vá, Gina, vá Gina.
A linda virgem Gina estava a nadar
No igarapé Tietê,
Quando numa pedra ela vê
Um sapo barbudo com a língua presa num trapo,
Que devorava sua nudez com cupidez no olhar:
– Eu sou um príncipe encantado,
Me dá um beijo – pediu o sapo
– Nunca! Jamais beijarei tão horrenda criatura.
E fim de papo.
Fique com sua feiura.

Taí. Não beijou,
Não piscou nem deu psiu!
O sapo virou presidente do Brasil:
Luiz Inácio Lula da Silva,
O novo morubixaba dessa selva.
O enviado de Deus para nos salvar.
Entre uma cópula e uma Cúpula de Davos,
Obama encontrou Lula num lavabo
E falou pra ele: você é O Cara.
Lula olhou no espelho e se reconheceu:
Esse cara sou eu.

Então,
Da costela fez-se Adão,
E Deus criou a mulher,
E a mulher criou a celulite.
Entre dois tapinhas e um rega bofe,
Elegemos nossa Brigitte:
O nome da nova chefe?
Dilma Roscoff!

Aí fechou o tempo.
Quebra quebra, black bloc
Tropas de choque,
O facebook virou campo das batalhas
Entre coxinhas e petralhas,
Enquanto o dragão da inflação,
Vai ressuscitando,
Gordo que nem um Marlon Brando,
Corrompido que nem o Poderoso Chefão.
Gorgeta pra prefeito,
Cala a boca pra deputado,
Bolsa família pra senador:
Coitadinhos, tão tudo na pió.
Enquanto o debate ferve no facebuque:
– Sua coxinha!
– Seu petralha!
– Petralha é a tua avó
Seu coxinha cheirador de pó.
– Cheirador é a tua mãe, seu canalha.
– Vai pra Miami, seu porco capitalista babaca.
– Vai pra Cuba, seu viado comunista panaca.

É, os ânimos estão exaltados.
Já pedem até a volta dos fardados.

A praga da vez é politicamente correta.
Isso aqui virou um país careta,
Sem mágicas,
Sem contato com suas raízes,
O reino das patrulhas ideológicas
De todos os matizes,
A nação dos slogans vazios:
“País rico é país sem miséria”.
E o marqueteiro ganha rios de dinheiro
Pra inventar essa pilhéria.
Fala sério.
Vai tomar no Cunha!

E assim chegamos ao segundo impeachment,
Viramos o único país do mundo a ter
Dois presidentes.
Isto é,
Um presidento e uma presidenta
E nenhum deles manda.
Demos um golpe nas leis da matemática:
Um mais um é igual a zero.
E veio a votação do alto e do baixo cler:
– Pelo amor de meus filhinhos,
Minha amantíssima mulher e minha sogra
Por meu pai minha mãe e minha avó,
Por meu cachorrinho Totó,
Por minha égua pocotó
E pelo meu cavalim,
Eu voto sim,Excelencia,
Eu voto sim!

Dizem que o Collor caiu por causa dos cinco PCs:
O Partido Comunista, o PC Farias, o Pedro Collor,
As Pernas da Cunhadinha e a Porra da Cocaína.
E que a Dilma caiu por causa dos cinco PPs:
A Propina da Petrobrás, a Panelinha do Palocci, a Presepada de Pasadena
A Promotoria Pública e a Puta que Pariu!

Ontem tive um pesadelo:
Sonhei que estava fazendo sexo
Com o Michel Temer.
Coisa mais sem nexo!
Eu estava nos lados do Lago Paranoá
E fui atacado por um jaburu de palácio,
Desses jaburus que estão sempre no cio.
E este jaburu era o Michel Temer,
Que me disse: crise? Que crise?
Não pense em crise, trabalhe!
Isto aqui é o país da próclise
Da ênclise e da mesóclise:
Aposentá-lo-ei aos 90 anos de contribuição.
Pra não falir a Previdencia
E consertar a economia da nação.
Tentei tergiversar:
Mas Excelencia, a le nã é igual para todos?
Se um senador se aposenta com oito anos
De mandato,
Porque sou eu que tenho que pagar o pato?

Então entraram uns juízes tocados
Com umas ridículas capas pretas
Que nem essa que usava o Tenório Cavalcante
No carnaval do inferno de Dante,
Entoando o Hino nacional
Em ritmo de marchinha nupcial,
Em coro:
Todos tinham a cara do Sérgio Moro,
E o jaburu tentando me enrabar.
Logo a mim,
Tá bom, sou belo,
Mas sou recatado e do lar!
Ele me disse seus planos pra educação,
Pensei: agora fudeu de vez.
Na Pátria Educadora,
Nada de História Filosofia Literatura
E educação física
Na Escola Pública.
Pobre vai aprender a cheirar cola
Desde o pré-maternal.
Invés de escola
Cadeia e maioridade penal.
É. A coisa tá mesmo feia,
E todos acham que é normal,
Céu de brigadeiro, tudo azul.
Ei, professor,
Vai aí uma mordidinha de pitbull?

A praga da vez é politicamente correta.
Isso aqui virou um país careta,
Sem mágicas,
Sem contato com suas raízes,
O reino das patrulhas ideológicas
De todos os matizes,
A nação dos slogans vazios:
“País rico é país sem miséria”.
E o marqueteiro ganha rios de dinheiro
Pra inventar essa pilhéria.
Brincadeira!
E agora deram pra inventar uma tal de Terceirização
E flexibilização das leis do trabalho.
Mas que ideia do caralho!
Ei, Gleisi, me trás aí um doce
Pra acalmar minha larica?
Não tem mais, amor meu!
O doce que tinha o meu marido comeu!

Na Pátria Educadora,
Nada de História Filosofia Literatura
E educação física
Na Escola Pública.
Gente pobre vai aprender a cheirar cola
Desde o pré-maternal.
Invés de escola
Cadeia e maioridade penal.
É. A coisa tá mesmo feia,
E todos acham que é normal,
Céu de brigadeiro, tudo azul.
Ei, professor,
Vai aí uma mordidinha de pitbull?
E agora inventaram uma tal de Terceirização
E flexibilização das leis do trabalho.
Mas que ideia do caralho!
Gente mais sem noção!
E o fundo partidário
Virou um fundo sem poço.
Se bobear não deixam nem o osso.
Fala sério,
Aqui, ó!
Vai tomar no Cunha!

Ei, Gleisy, me trás aí um doce
Pra acalmar minha larica?
Não tem mais, amor meu!
O doce que tinha o gato comeu!

       
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MANO MELO

Poeta e ator, roteirista para cinema e vídeo. Desde 1979, quando retornou ao Brasil após viajar por dez anos através do mundo (América Latina, Europa, Ásia e África), tem interpretado seus poemas em teatros, bares, centros culturais, universidades, escolas, eventos e congressos literários, até mesmo praças e praias, no Rio de Janeiro e muitas outras cidades.

O poeta e ator Mano Mello do Rio de Janeiro, já conhecido por sua irreverência, palavra sincera e sem pudor hoje faz uma crítica satirizando o momento atual brasileiro. Era uma vez uma bela mocinha indígena Que atendia pelo nome de Gina. Pediu á mãe pra ir no rio se…

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