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Protagonismo feminino vira tema em festival de roteiro – FRAPA –

Por Melina Guterres

Os números da ANCINE (Agência Nacional do Cinema) revelam: faltam mulheres roteiristas e diretoras no mercado audiovisual brasileiro. Das 2.583 obras audiovisuais registradas na agência em 2017, somente 17% foram dirigidas por mulheres e 21% são de autoria feminina. O Boletim GEMAA 2: Raça e Gênero no Cinema Brasileiro (1970-2016) mostra que histórias narradas nos filmes nacionais de grande público têm protagonismo maior de homens (62%), quase todos brancos (50%). As mulheres somam apenas 39% desse resultado, que cai dramaticamente numa proporção de 18 para 1 se considerarmos as protagonistas negras.

O tema foi levantado em diversos momentos durante o maior Festival de Roteiros da América Latina – FRAPA, que ocorreu em julho deste ano em Porto Alegre-RS. Na mesa de debate apresentada pela Imprensa Mahon  “Tudo que você quis saber sobre canais e nunca teve coragem de perguntar” com Krishna Mahon (A&E Television e Imprensa Mahon) , Diogo Gardoni (GNT), Julia Prioli (FOX), Marina Pompeu (Canal Brasil) Ramiro Azevedo (Prime Box Brasil) o tema foi bastante discutido (confira vídeo acima). 

Maria Pompeu do Canal Brasil lembrou que as mulheres se encontram muito ainda na produção e que há homens querendo escrever e dirigir sobre temas feministas “é seu o projeto? tudo bem, mas chama uma mulher para roteirizar dirigir com você”, diz. Ela ainda disse que apenas 2 mulheres negras conseguiram fazer um longa chegar as telas na história do cinema brasileiro. Khrishna, que também é uma das administradoras do grupo Mulheres do Audiovisual Brasil no facebook, hoje com mais de 18 mil membras, lembrou que o cooperativismo entre as mulheres tem crescido, Julia Prioli afirma que a Fox tem buscado por diversidade inclusive em suas sala de roteiristas. Gardoni comentou que na GNT há uma série de ficção sobre sexo pelo ponto de vista da mulher onde a maior parte da equipe é feminina. Ramiro Azevedo lembrou que a Prime Box Brasil está entre os canais brasileiros que mais possui diretoras mulheres. 

Além de surgir nas mesas de debates, o protagonismo feminino também foi comentado durante os pitchings, bastidores, corredores, pausa para café e bares. Entre esses intervalos, conversamos com as roteiristas e diretoras Vera Egito,  Carolina Kotscho  e também Sylvia Palma, representante da GEDAR (veja matéria sobre aqui).

Vera Egito que já tem oito projetos como roteirista e diretora sabe que é uma exceção. “Ainda há muita falta de diversidade e é claro que essa falta se reflete nos produtos, nas obras”, diz lembrando pesquisa que revela o quanto as figuras femininas estão estereotipadas.  “quando as lideranças mudam, essa lógica se inverte”, diz.  Carolina Kotscho que no momento escreve uma série sobre a Hebe Camargo lembra que também é importante não limitar a arte. “Adoro de me apropriar de universos que não são meus”.

Também esteve presente a idealizadora do Prêmio Cabíria de Roteiro, Marília Nogueira, “Em 3 edições do prêmio recebemos mais de 300 roteiros de longa-metragem com protagonistas femininas, mais de 2/3 escritos por roteiristas mulheres. Então pergunto: faltam profissionais mulheres no mercado? Não. O que falta é oportunidade para que ocupemos esse espaço. Um primeiro passo importante que já começou a ser dado é garantir paridade de gênero nas comissões de seleção de fundos, editais e festivais.”, afirma.

Para Letícia Bulhões Padilha, roteirista e administradora do grupo Mulheres do Audiovisual Brasil “O protagonismo feminino, tanto na frente das câmeras quanto atrás delas, é algo em constante processo de construção por meio de muita luta e, principalmente, sororidade. Não há o hábito de se pensar em mulheres como protagonistas. Um exemplo disto vimos na mesa sobre personagens fortes, ocasião em que não foi citada sequer uma mulher, ainda que com muitas como exemplo.”, afirma.

Confira mais do que rolou no Frapa nos vídeos a seguir:

 

 

VERA EGITO é nascida em São Paulo, é formada pelo Curso Superior do Audiovisual da ECA-USP. Estreou seu primeiro curta-metragem, “Espalhadas pelo Ar”, no Festival de Brasília de 2007, e seu segundo curta-metragem, “Elo”, na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2009. Em ambos foi roteirista e diretora. Vera trabalhou nos roteiros dos longa-metragens “À Deriva” (2010), “Serra Pelada” (2014), ambos de Heitor Dhalia, e “Elis” (2016), de Hugo Prata. Em 2016 lançou seu primeiro longa-metragem como roteirista e diretora, “Amores Urbanos”. O filme estreou no Festival Internacional de Miami e foi exibido nas salas comerciais do país. Vera também escreveu e dirigiu videoclipes para diversos artistas brasileiros como Céu, Arnaldo Antunes, Thiago Pethit e Tiê. Seu último clipe lançado foi “Lalá”, de Karol Conká. Atualmente, Vera se dedica ao desenvolvimento de sua primeira série de ficção como diretora e roteirista geral em uma produção da HBO Originals.

CAROLINA KOTSCHO é roteirista, formada em Artes Visuais, escreveu ao lado de Patrícia Andrade o roteiro de “Dois Filhos de Francisco” (2005), de Breno Silveira, uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro da retomada, com mais de 5 milhões de espectadores. Depois disso, trabalhou no roteiro do longa “Paraísos Artificiais”, de Marcos Prado, e escreveu o quadro “Te quiero América”, série de 11 episódios exibidos no “Fantástico” (Globo), protagonizados por Denise Fraga e João Miguel e dirigidos por Luiz Villaça. Em 2009, escreveu o roteiro de “Flores Raras”, longa de Bruno Barreto com Glória Pires. Também roteirizou o documentário “Quebrando o Tabu” (2011), de Fernando Gronstein; “Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo Coelho” (2013), de Daniel Augusto, e a série “A Teia” (2014) da TV Globo. Como produtora executiva, participou dos filmes “Albatroz” (2017) e “Não Pare na Pista”.

Mais vídeos do que rolou no Frapa:

SYLVIA PALMA. Roteirista de cinema, TV e outras mídias, diretora de documentários, editora e jornalista. Mestre em Comunicação, Cultura e Educação, é diretora da Associação Brasileira dos Autores Roteiristas (ABRA) e Secretária Geral da Gestão de Direitos Autorais dos Autores Roteiristas (GEDAR). Sylvia também é docente do curso de pós-graduação em Roteiro de Cinema, TV e Documentário da Faculdade Hélio Alonso, da Academia Internacional de Cinema (AIC) e do Espaço Telezoom. Foi roteirista de seriados como “A Lei e o Crime” (TV Record) e “A Dona da Banca” (Cinebrasil). Assinou ainda o roteiro de documentários como “Caminho das Pedras”, “Uruguai”, “Vidigal Pop”, “Angel Vianna” e “Top Model”. Participou da criação da telenovela “O Sétimo Guardião”, de Aguinaldo Silva (TV Globo), que estreia em 2019. Autora do musical infantil “Meu Amigãozão” e do espetáculo infanto-juvenil “Resende Evil”, Sylvia atualmente escreve o seriado “Pigmaleão do Brejo” (TV Record). É consultora da área de documentários do Canal Futura/Rede Globo desde 2014.

 

Para saber sobre o Festival em:  https://frapa.art.br/

Por Melina Guterres Os números da ANCINE (Agência Nacional do Cinema) revelam: faltam mulheres roteiristas e diretoras no mercado audiovisual brasileiro. Das 2.583 obras audiovisuais registradas na agência em 2017, somente 17% foram dirigidas por mulheres e 21% são de autoria feminina. O Boletim GEMAA 2: Raça e Gênero no Cinema…

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