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Precisamos falar sobre depressão por DAIANA CARPENEDO

Lendo um texto sobre o quanto as pessoas gostam de dar opinião sobre o corpo alheio, lembrei de mim quando emagreci muito, e rapidamente. Eu ouvia coisas entre o “nossa como tu emagreceu, ta linda, parabéns” e o “tu tá muito magra, precisa ganhar uns dois ou três quilinhos”. E entre estes comentários estava eu, há exatos dois anos, doente. Só viam o meu corpo, não queriam saber o que estava acontecendo.

O fato é que eu tinha emagrecido 10 kg num mês porque estava com depressão. “Nossa, que magra, tá linda”. Eu me olhava no espelho e não me achava linda. Minha alimentação consistia em um ou dois copos de leite por dia, que eu bebia forçadamente porque apesar de doente eu não queria morrer. Em dias gloriosos eu ainda conseguia comer uma banana. Me cerquei neste momento de uma rede de apoio sem igual, que me acompanha até hoje: médica, psicóloga, família, amigos. Superei. Mas tive que aceitar o problema pra poder começar a tratá-lo. Tenho sorte de ter ao meu lado pessoas que me apoiaram mais do que me julgaram e aceitaram o problema comigo, combatendo ao meu lado naquela guerra.
Hoje eu sigo magra, porque eu quero. Então os comentários até são permitidos. As pessoas sabem que eu faço dieta com nutricionista e malho, então comentários sobre o corpo vão ser inevitáveis. Usei a adversidade pra me desenvolver e buscar me amar e me cuidar mais. No momento que a coisa toda explodiu, eu percebi que tinha jogado muita sujeira pra debaixo do tapete. Tinha muita ferida a ser tratada. A gente vai passando pela vida aos trancos e barrancos, as coisas vão acontecendo, umas piores que as outras, e a gente poucas vezes para pra elaborar os fatos, e as dores vão ficando.

A gente se distrai com trabalho, TV, etc, e vai esquecendo de se curar,

mas esquecer não vai fazer com que as feridas desapareçam, o tempo cura sim, mas não sozinho. e logo depois que a poeira começou a baixar, eu escolhi ser minha prioridade. Aprendi a me alimentar, aquela frase “você é o que você come” é MUITO verdade, consultem um(a) nutricionista, as mudanças são visíveis demais, no corpo e na saúde. Pessoa mal nutrida é pessoa cansada, e cada organismo tem suas particularidades. Mantenho academia em dia desde então também, isso dá uma auto-estima do caramba, você sabe que tá lá se cuidando, melhorando aparência, saúde, tudo, a gente tem que sempre estar em movimento, e claro, junto com tudo isso mantenho ao meu lado meu centro de apoio (médica, psicologa, família e amigos), aos quais não tenho palavras que expressem suficientemente o quanto sou grata. Cuidem da sua saúde, sejam suas prioridades amigxs. Saúde mental também é saúde, e o mundo tá nos exigindo demais, tem muita gente boa que tá se perdendo no meio de tantas exigências desumanas.
Não sou de textão, mas hoje senti que precisava dar esse relato. Exposição? Talvez.

Mas a gente precisa falar sobre depressão mais do que sobre o corpo dos outros.

DAIANA CARPENEDO

Servidora pública como profissão.
Como ser humano, é defensora das artes, da diversidade, dos animais  e demais empatia entre as pessoas. Tem 33 anos, é nascida em Santa Rosa-RS, Bacharel em Direito e Mestranda em Educação Profissional e Tecnológica, por acreditar que a mudança no mundo começa pela educação e pelo trabalho.
Lendo um texto sobre o quanto as pessoas gostam de dar opinião sobre o corpo alheio, lembrei de mim quando emagreci muito, e rapidamente. Eu ouvia coisas entre o "nossa como tu emagreceu, ta linda, parabéns" e o "tu tá muito magra, precisa ganhar uns dois ou três quilinhos". E…

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