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As armas de Norma por ODEMIR TEX JR

Norma pediu minha morte.

Comprou passagem para Marte

só de ida. Urinou na minha boa vontade.

Fez denúncias sobre minha lápide.

Norma quer um gancho recurvo

varando minhas costas, exigindo

mais uma costela de meu parco Adão.

Ela quer arrancar fôlego do incêndio,

quer fogo no silêncio; também um pulmão.

Tenho uma breve vida furtada

do útero do acaso, vou contra

o dia, não sei nadar e tenho medo

da correnteza e da ira feminina.

Norma quer me matar.

Norma se masturba nas noites de chuva.

É liquida, escorregadia.

Veio – empunhando um olhar de sangue –

no meu sono, e deixou um punhal

– como a espada Excalibur! – fincado

entre o hemisfério esquerdo e o outro

do meu cérebro.

Em minhas orações peço

que algum ser mítico, sobrenatural,

venha restituir-me o sono.

Penso em Norma, e não durmo.

Norma quer me matar de amor.

 

A imagem pode conter: 1 pessoa, óculosOdemir Tex Jr., parturido nos frios junhos do estado do Rio Grande do Sul – sob a égide de gêmeos – nos estertores dos anos 70, do séc. XX. Reside em Santa Maria/RS. Estudou Geografia e Letras. Poeta e escritor com mais de uma vintena de prêmios literários em prosa e verso, em vários estados do Brasil. É coautor dos livros Santa Invasão Poética (poesia/2003), O Maquinista Daltônico (poesia/2007) e O Gol Iluminado (crônica/2008); autor de Esta Insólita Província, (poesia/ a publicar) e Para Uma Nova Didática do Olhar (Estrela Cartonera, poesia, 2013). Aprendeu a andar de bicicleta quando todos de sua idade já sabiam. Escreve para não cair.

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